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06

Nov

VANGUART - “Muito Mais Que O Amor”

Nada como ouvir um ótimo CD de uma banda nacional. Se hoje as bandas consagradas estão fora do cenário musical (basta ver as apresentações na última edição do Rock In Rio nas quais os hits mais novos datam de longínquos 2008, 2006, e assim por diante), o novo disco do VANGUART chega em excelente momento. 

Aos fãs de “Boa Parte de Mim Vai Embora”, este novo "Muito Mais Que O Amor" pode soar um pouco mais pop, mas quem se importa? Como diria meu amigo do coffeebreakr, "o cd está lindo". "Estive" sai na frente por ser a música de trabalho e primeira faixa do álbum, e o que se ouve na sequência é um musicão atrás do outro. Tudo aquilo que a gente gosta de ouvir num CD do Vanguart está ali: a voz macia e melada de Hélio Flanders, as letras espertas, solinhos de guitarra, um piano aqui ou lá, e até uma gaita muito esperta na faixa "O Que Seria de Nós". E agora com o bônus da entrada da violinista Fernanda Kostchak que arrepia em "Pelo Amor do Amor". Lindo mesmo! 

E o melhor é poder ouvir tudo na sequência, sem ter que pular faixas. Uma música encaixa na outra e quando você se dá conta já está de volta à primeira faixa. Destaque para o romantismo na ensolarada"Meu Sol": “Se a vida me trouxer o que eu pedi, te encontro e faço tudo que quiser… A vida é tão mais vida de manhã quando vejo você” e o momento Jovem Guarda nas canções “Sempre Que Eu Estou Lá” e “Mesmo de Longe”. Nesta última, impossível não perceber que os vocais não são de Flanders, mas não se trata de participação de fora não; é o próprio baixista da banda Reginaldo Lincoln.

A espera foi curta, mas confesso que já estava ansioso pelo novo trabalho dos caras. Finalmente “Boa Parte de Mim Vai Embora” poderá descansar por um tempo fora do meu playlist. Mal passo esperar para ouvir esta preciosidade nas estradas afora. 

27

Aug

Álbum da Semana: TULIPA RUIZ - Tudo Tanto

Quem foi que disse que não dá para melhorar uma primeira impressão em uma segunda tentativa? Se “Efêmera” foi o disco do ano (pela revista Rolling Stone), o que dizer de “Tudo Tanto”, muito melhor que a estreia de Tulipa?

A primeira música de trabalho (ou single, para os íntimos) “É” já mostra que Tulipa Ruiz veio com a corda toda. Com uma melodia forte, e gritinhos afinados do começo ao fim, ela de cara entrega ao fã tudo aquilo que ele tanto amou no primeiro CD. E depois só melhora.

“Quando Eu Achar” tem a grande sacada dos sons agudos ao final que viram letra de música e você só percebe quando entra a homarada ao final entoando o trecho. Anos 80 total, a voz deliciosa de Tulipa torna esta faixa essencial. “Like This” mostra uma faceta Yoko Ono da cantora, e mantém o clima oitentista do disco. “Desinibida” é muito bem sacada; a letra danada é de uma sutileza perspicaz que te faz lembrar de várias amigas que se encaixam no perfil, e o título nada pejorativo mostra que não há mal nenhum nisso, são apenas desencanadas e aproveitam a vida. Claro que a batida meio bossa faz a diferença.

“Script” é a “Sushi” do disco, e a parceria com Lulu Santos em “Dois Cafés” surpreende pela (quem diria) ótima combinação. É a celebração dos anos 80 mais que nunca, que está em todos os cantos deste disco. Em “Víbora”, é a vez de homenagear Gal Costa. Se não o faz intencionalmente, pelo menos é assim que soa. Letra sagaz, cantada do fundo da alma, no melhor estilo Gal.

Entre tantas preciosidades, a minha favorita é “Ok”. Forte, de letra esperta, e um balanço gostoso, é Tulipinha fazendo o que ela faz de melhor. Quando ela diz “tudo pra ser aquilo tudo que todo mundo espera… um jeito que agrada a todos” podemos sentir a pressão de um segundo CD especialmente após o debut ser tão referenciado pelo público e crítica; e em “tudo afiado, na ponta da língua, tudo decorado de cabeça… tudo que falta para chegar no ponto, tudo que falta para ficar ok” parece que ela entrega que já dominou a fórmula do sucesso e tem consciência disso. Claro que isso é só uma das interpretações desta música, mas que encaixa direitinho, encaixa. E daí o CD no ponto, muito mais do que OK, excedendo todas as expectativas!

21

Aug

Álbum da Semana: MICHAEL KIWANUKA - Home Again

Todo ano há um novo grande ato que transcende a terra da Rainha para o mundo. Amy Winehouse, Susan Boyle, Adele. Talentos que os britânicos descobrem e fazem questão de dividir com o mundo. Este ano, sem dúvida, Michael Kiwanuka é a voz da vez. E que voz!

Com um timbre que te transporta a algum lugar dos anos 60, Michael tem sido justamente comparado aos grandes Bill Withers, Randy Newman, Otis Redding, além de Van Morrison e the Temptations. 

Filho de pais ugandenses, os quais fugiram ao regime de Idi Amin, o jovem de 24 anos ganhou recentemente o Sound of 2012 da BBC. Após apresentações ao lado de ninguém mais ninguém menos que Adele, chega a vez de Michael Kiwanuka colocar a boca no trambone. Ou melhor, microfone.

Se o hit “Home Again” apresenta um cantor comedido, com notas certas e um ar retrô, ao ouvir o CD “Home Again” desde a primeira faixa, a descoberta vai mais além. Uma viagem na música soul no tempo; uma nostalgia de algo que você pode até não ter vivido, mas que aflora sabe se lá o porquê.

"Tell Me A Tale" arrepia de cara; talvez a faixa mais poderosa do disco. Na seguida, as não menos surpreendentes "I’m Getting Ready" e "I’ll Get Along", também lançadas comercialmente no Reino Unido, comprovam todo o talento do rapaz. E claro que ao entoar "Home Again", a faixa-título, você tem a certeza de que este CD ficará por muito tempo no cd player do seu carro, e de que você finalmente pode descansar o "21" da Adele.

29

Jul

Álbum da Semana: MALLU MAGALHÃES - Pitanga

Como uma garota prestes a fazer 20 anos pode dizer que está ficando velha e louca? Se lançar 3 cds quer dizer experiência, então ela não é tão novinha assim. Garota Prodígio, que causou muito burburinho ao namorar o “Hermano” Marcelo Camelo aos 16 anos, Mallu está cada vez melhor, como um vinho da melhor uva, ou seria da melhor pitanga?

Se o hit “Velha e Louca” tem um quê de Los Hermanos, isso se deve fácil ao bom convívio com Camelo, bem como a produção de “Pitanga”, assinada por ele. Mas Mallu imprime sua marca fortemente, ainda que você note um pouco de Camelo no disco, muito pouco.

Confesso que à primeira ouvida estranhei um pouco. Acostumado com aquele ar de Bob Dylan em suas músicas, preferindo às musicas em inglês àquelas cantadas em português, foi difícil ver a predileção por um som mais brazuca. Mas tudo foi embora ao vê-la tocar ao vivo no Show Na Brasa - de talento excepcional, ela cantou e encantou, e divertiu, e tocou, e fez de “Pitanga” o meu álbum da semana. Viciei. Confira o show na íntegra em: http://mtv.uol.com.br/programas/nabrasa/shownabrasa/mallu-magalhaes

As favoritas até o momento são “Youhuhu”, que traz à memória as ótimas “J1” e “Tchubaruba”, para aqueles fãs de seu começo de carreira. Em seguida, vem as excelentes nova fase “Sambinha Bom” e “Cena”. Claro que eu continuo curtindo as músicas em inglês também, como “In The Morning” e “Baby I’m Sure”. E faixa após faixa você se delicia com a Pitanga mais docinha que você já experimentou. 

22

Apr

Album da Semana: CÉU, Caravana Sereia Bloom

Que som gostoso! Fácil de se render ao novo CD da Céu. Não sei se está melhor que o anterior, mas nem me importo. Fato é que o danado do disco tá viciante. Se Céu fica brega às vezes, é um brega delicioso. Se ela faz vinheta à la Marisa Monte, também não pega nada. E quando ela entra no reggae, você entra junto. Esse é "Caravana Sereia Bloom".

De cara, foi "You Won’t Regret It" que me fez entrar nesta tal caravana. Reggae de primeira, que ao mesmo tempo em que me fez lembrar sabe se lá o porquê de (pasmem) “Dirty Dancing”, tem aquele lance "happy-go-lucky" jamaicano que só faz bem. E que bem…

Aí entra a sereia, muito Marisa Monte, mas não é que ela fez direitinho! Como nos velhos tempos de “Mais”… então pode. Em seguida, a ótima "Baile da Ilusão", põe o B em “brega” com orgulho, e consegue ser chique ao mesmo tempo. Mas voltando ao começo, é a excelente "Falta de Ar" que abre o CD, já deixando aquela vontade de “voltar a faixa” antes que o CD chegue ao fim (e foi o que fiz umas duas vezes, antes de chegar à terceira faixa). "Asfalto e Sal" também tem o seu charme, na batidinha reggae, com aquela sensação de estar na estrada mesmo estando na sala do seu apê, assim como a faixa que já virou vídeo "Retrovisor" e "Contravento" contêm um certo quê estradeiro. Taí. Vai ver essa é a tal Caravana do título. Se a Marisa teve seu “Barulhinho Bom”, Céu vem de "Caravana Sereia Bloom", que não deixa de ser a viagem musical dela. E cá entre nós, vale (e muito) a carona!

24

Feb

Álbum da Semana: MARCELO CAMELO, “Toque Dela”

Marcelo Camelo é o cara! Dono de um timbre sensacional e talento único, não é a toa que sua carreira solo deu certo. Se no Los Hermanos ele se faz fundamental, sozinho ele alça voos tão altos quanto. E "Toque Dela" só vem coroar o seu sucesso.

Confesso que demorei demais para ouvir o CD, e ao fazê-lo, foi como experimentar algo ilícito; simplesmente viciante. Seja na excelente “Acostumar”, que mantém todo o charme e brilho das canções de sua banda, seja em seu momento Belle and Sebastian “Vermelho”, "Toque Dela" é sensacional do começo ao fim. Como é que eu não ouvi isso antes…

Há quem diga que sua carreira solo nada mais é que um som “El Hermano”, ou seja, o “bloco do eu sozinho” literal, sem as mãos dos “irmãos” de banda. Mas é muito mais que isso, ao mesmo tempo em que é sim exatamente isso. Podemos dizer que é um bônus, daqueles gordos, que você se enche de tanta felicidade, sem tem que deixar de lado o santo salário de todo mês, neste caso, a banda. Quem ganha, somos nós, sempre, porque talento bom nunca é demais.

Destaque para as faixas “Vermelho”, eleita umas das melhores do ano pela revista Rolling Stone, “Pretinha”, “A Noite”, além da previamente mencionada “Acostumar”, minha favorita!

19

Feb

Álbum da Semana: Roberta Sá, “Segunda Pele”

Tenho que confessar que após me deliciar com o lançamento de “Pavilhão de Espelhos”, estranhei um pouco ao ouvir o novo CD de Roberta Sá na íntegra. O motivo? Como compensar todo aquele samba delicioso de “Quando O Canto É Reza” em seu novo trabalho? Após aquele que foi o melhor CD Nacional do Ano, ouvir Roberta Sá sem o Trio Madeira foi um pouco difícil no começo, mas bem que “Pavilhão de Espelhos” já nos avisava que seria assim.

Mas nada como uma segunda ouvida a “Segunda Pele”. O CD vai melhorando, melhorando e quando você se dá conta, lá está você de novo, cantarolando as músicas desta grande cantora, uma a uma. Depois de “Pavilhão”, “Altos e Baixos” foi a primeira faixa a me encantar; esse lance de ser “a capa da Veja” e “estar prestando pra nada” soa bem divertido e cativa fácil, ainda mais com a voz maravilhosa de Roberta Sá. Em seguida, “O Nego E Eu”, obviamente pelo samba delicioso que é; o “Nego Mandingo” deste novo trabalho. A parceria com Jorge Drexler “Esquirias” garante a alcunha de canção mais linda deste CD; um quê de Julieta Venegas, misturado com um certo luxo latino graças à letra em espanhol; o dueto ficou bom demais.

“No Bolso” é a mais dançante, mais pop, e apesar do apelo “povão”, não deixa de ser gostosa, mas por pouco não cai no meu conceito – acho que o saxofone a salva. Por outro lado, a também agitada “Deixa Sangrar” ganha ao oferecer aquela energia nordestina deliciosa, um som de carnaval de Olinda apaixonante, bem acertada, assim como a arretada “A Brincadeira” exibe toda a batida do Nordeste na voz da melhor intérprete da atualidade. Para fechar, a batidinha reggae de “No Arrebol” deixa aquele gostinho de “foi bom para mim”.

“Segunda Pele” consegue mostrar que, apesar de um tropeço aqui e outro ali, Roberta Sá pode continuar magnífica sem o Trio Madeira ao seu lado. Ou será que eu estaria sendo duro demais com a moça só porque ela foi a responsável por um dos melhores CDs da música brasileira em seu trabalho anterior? De qualquer maneira, Viva Roberta Sá!

03

Feb

Álbum Da Semana: Karina Buhr, Longe de Onde

Essa menina vai longe. Na verdade, já está bem encaminhada. "Eu Menti Pra Você" já era uma delícia. Estranho no começo, diferente de cara. Autêntico, energizante e único. "Longe de Onde" é um passo à frente. Mais maduro, porém igualmente inovador. 

Karina Buhr não faz músicas para as multidões, nota-se nas letras às vezes pesadas, como na faixa “A Pessoa Morre”, às vezes experimentais de mais, como em "Cara Palavra" ou "Sem Fazer Ideia". Entretanto, uma vez que sua música transpõe certas barreiras, o som de Karina fica viciante, e nos deixa dependente. Tal transposição é certa uma vez que você a vê nos palcos. Quanta energia! Ou ao ouvir a faixa "Não Me Ame Tanto", de longe a melhor do CD, ou na falsa ternura de ”Pra Ser Romântica”.

Se para alguns o sotaque pernambucano é sua marca, para outros é o som criativo e empolgante que ditam a sua carreira. Verdade é que o som de Karina é um pouco de tudo, sem nunca cair para o clichê, e muito menos no lugar comum. Ideal para quem quer algo novo mas retrô, autêntico mas com boas influências, louco mas com muita sanidade e sensatez. Uma jóia em meio a tantos lançamentos tão iguais, o fino do mais fino, como diria o grande China.

16

Dec

Álbum Da Semana: Tiê, A Coruja e o Coração

Tantos acontecimentos nos últimos meses que deixei o Coração de lado. Literalmente. Já na primeira “ouvida”, havia me apaixonado pela bela "Pra Alegrar O Meu Dia" e a mágica “Piscar O Olho”. Duas canções tão ímpares, tão deliciosas, em uma voz encantadora. Mas ao chegar à versão de “Você Não Vale Nada”, brochei.

Preconceito? Talvez. Antipatia pela original? Certamente. Fato é que me apeguei aos ótimos cds de Tulipa Ruiz e Roberta Sá quando queria ouvir MPB atual, e foi assim que deixei esta preciosidade de lado. Mas nada como o tempo. Certo dia, deixei o CD rolar inteiro uma, duas, três vezes. E o ouvido foi acostumando, acostumando, e de repente me peguei finalmente cantarolando o refrão mais brega do ano passado "Você não vale nada mas eu gosto de você". Pronto! Tiê conseguiu fazer aquilo que a tal banda original (sei lá qual o nome deles) não conseguiu fazer em todo o ano de 2010.

Com o maior obstáculo superado, foi fácil deixar “A Coruja e o Coração” no repeat; "Na Varanda da Liz" é um charme, e "Hide and Seek" e "For You And For Me" são viciantes. Junto às excelentes Tulipa e Roberta, Tiê garantiu seu lugar de destaque em minha CDteca com honra ao mérito. Vale a pena!

26

Nov

Album Da Semana: MARISA MONTE, O Que Você Quer Saber De Verdade

Esses dias comentava a falta que Marisa Monte andava fazendo no cenário musical brasileiro. Adoro Maria Rita, Maria Gadú, Tiê, Mallu Magalhães. Amo Roberta Sá e Tulipa Ruiz, mas algo faltava para completar o grupo das cantoras nacionais TOP. Eis que em uma visita à Saraiva Mega Store me deparo com um móbile de "O Que Você Quer Saber De Verdade".

E, como de praxe, o CD é uma delícia do começo ao fim! A faixa título "O Que Você Quer Saber De Verdade" abre o CD mostrando que se trata de um trabalho convencional da grande Marisa, nada de experimental, nada tribalista, apenas 100% Marisa Monte, como nos velhos tempos antes de seu som ficar pop.

A leveza musical continua com "Descalço No Parque", “Amar Alguém”, “Nada Tudo” e "O Que Se Quer", as quais têm muito em comum com os clássicos de Marisa Monte do primeiro CD até “Cor de Rosa e Carvão”, sua melhor fase. "Depois" deve agradar aos fãs de “Memórias Crônicas”, assim como “Verdade, Uma Ilusão”.

"Ainda Bem" tem um leve toque latino, algo de tango, que nos dá uma vontade danada de sair dançando pela casa. “Aquela Velha Canção” é aquele momento brega, porém delicioso, nos moldes de “Amor I Love You”. E para fechar todos os estilos de Marisa em um mesmo álbum, não poderia faltar algo mais regional, e "Hoje Eu Não Saio, Não" cumpre a missão com louvor. Puro deleite!

Assim como “Barulhinho Bom”, "O Que Você Quer Saber De Verdade" é uma viagem musical, que nos traz a boa e velha Marisa Monte, oferecendo aos fãs um pouquinho de tudo aquilo que ela faz melhor. Simplesmente obrigatório!